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 Adélia Carvalho




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Cine-Circo

 

Desviando um pouco das Artes Plásticas, chegou um momento de viajar pelos caminhos do Cinema.  Como o homem chegou a essa invenção?  Minha preocupação foi mostrar aos alunos o percorrer do homem em busca do registro do movimento. Ao apresentar essas informações pude fazer um link com as descobertas da física e mostrar como as diferentes áreas estão interligadas. Essa primeira parte expositiva da aula contou com a opinião de alguns alunos que contribuíram com informações sobre o funcionamento dessas invenções de uma forma científica e espontânea.

Após entendermos sobre o surgimento do cinematógrafo, pudemos entender sobre  o surgimento das salas de exibição no Brasil e sobre a produção nacional e suas diferentes fases. Interessante notar como os alunos se espantaram ao saber que a fase “chanchada” do nosso cinema é reconhecida historicamente, alguns se espantaram mais não seria justo com a nossa história omitir esses fatos.  Notei também grande interesse dos alunos  em entender como tivemos contato com essa tecnologia e a partir daí caminhamos para a segunda parte da aula.

 Contextualizando o filme a ser assistido: “O Circo” Charles Chaplin percebi que alguns se mostraram indispostos, ouvindo frases como: “Ah um filme sem falas”, “filme antigo”, “que preguiça” , “ coisa estranha e feia em preto e branco”. Como  o filme estava exibido no quadro e  no notebook, estava eu de frente para a turma e pude acompanhar as mudanças de expressões. As peripécias de Chaplin conseguiram arrancar risos e comentários. Alguns faziam anotações sobre a cena, foco,imagem e  som, trazendo comentários paralelos que demonstraram um aprendizado sobre a evolução do cinema.

Não resisti e sentei-me junto aos alunos para assistir como espectadora o filme e ali daquele ângulo percebia que todos estavam envolvidos na proposta. Tentei trocar de filme para oferecer conteúdo de comparação, porém devido a pedidos calorosos permanecemos assistindo “O Circo” e deixamos o prosseguimento para a próxima aula. Em meio a tanta comédia um acontecimento de suspense, a porta do banheiro se abriu e surgiu um senhor, alguns colegas conhecidos como os mais corajosos levantaram-se das cadeiras e percebemos que era apenas o bombeiro que consertava a torneira desde o horário do intervalo despertando tantas gargalhadas na turma.

O início do tema cinema despertou nos alunos grande quantidade de dúvidas. Notei que eles já se sentiam mais próximos desta realidade e que os comentários eram próximos.

Acredito que teremos um trabalho intenso na continuidade de nossas próximas aulas!

Valeu!

Cristiene Carvalho



Escrito por Cristiene às 09h43
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Modernamente Contemporâneo

 

Em busca de continuar a proposta da aula anterior, decidi apresentar aos alunos mais obras e conceitos que nos mostravam artistas do movimento modernista e das inúmeras vertentes da arte contemporânea. Optei primeiro em falar teoricamente de forma sucinta sobre cada um dos estilos, apresentando dados e colhendo as informações que os alunos tinham sobre o conteúdo. Assim quando apresentei as imagens os alunos  apontavam opiniões sobre qual poderia ser o estilo e porque. Gerando discussões polêmicas. Partilhamos reflexões de grande peso sobre: Pop- Arte,  Arte Conceitual, Bio Arte, Arte Óptica e  Arte Carnal e notei como  essas diferentes manifestações fizeram com que cada aluno tomasse partido de um estilo diferente e explicasse  ao colega. Foi interessante participar desse momento.

Ao planejar a atividade em casa, cheguei até a achar que essa seria uma aula mais silenciosa e que eu teria que incentivá-los a exprimirem suas opiniões, porém na prática o resultado foi bem diferente. Se chegasse uma pessoa alheia à prática trabalhada, poderia até dizer que tudo se encontrava rumo ao caos, pois todos falavam inicialmente de forma desordenada, porém vi que mesmo sem formarmos grupos cada “panelinha” discutia entre si o que estava sendo visto e eu ali no meio, instigando e tentando mostrar as possibilidades do caminho. 

Foi aí que nos demos conta que o tempo já havia se acabado. E ainda restava a proposta de cada grupo construir uma releitura da Pop Arte. A proposta foi lançada e propus que os alunos experimentassem em casa.

Finalizamos a aula com várias propostas para a palavra do dia, após tantas possibilidades notei que a melhor palavra seria  “discussão” pois todos discutiram avidamente sobre  arte, preenchendo lacunas  e abrindo mais questionamentos possíveis.

Valeu, um Abraço

Cristiene Carvalho



Escrito por Cristiene às 09h42
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Navegar é preciso...

 

Internet é um dos meios de comunicação que mais tem ganhado espaço na sociedade atual. Os jovens em sua maioria usam-na como se já fosse parte de sua forma de pensar e viver. Ali são colocados contatos de amizades, são feitas as descobertas sobre o mundo, são vivenciados amores, divididas tristezas até com pessoas desconhecidas... e porque este não poderia ser um local de aprendizado e pesquisa? Quando me refiro à pesquisa, não aquela na qual o aluno digita a sua dúvida, Ctrl C + Ctrl V + Imprimir. Uma pesquisa se baseia na utilização de diferentes fontes de informação e entendimento dessas fontes rumo à construção de um conceito sobre o fato de interesse.

Barco organizado dividimos a turma em grupos e nos propomos a navegar. Cada grupo com um computador e a questão proposta era “procurar manifestações de arte moderna e de arte contemporânea”.  Disponibilizei sites de bibliotecas e museus virtuais e também deixei com que os alunos estivessem livres para navegar entre os links encontrados em cada site, experimentando mergulhos ora livres ora monitorados.

Foi preciso colocar motor no meu barco a remos, pois com uma velocidade incrível cada grupo seguia adiante pela proposta, mostrando se sentirem muito à vontade em pesquisar na rede. Fizemos muito barulho, e ao visualizar obras alguns manifestavam seu posicionamento estético de forma tão livre que até fomos abordados por companheiros da sala ao lado, pois estávamos reagindo a muitos decibéis acima do permitido. Isso se explica devido ao fato de uma viagem tão intensa na qual a mente se acelera e o corpo continua parado onde é preciso encontrar vazão em alguma manifestação, e foram aos gritos que alguns se depararam com obras contemporâneas mais viscerais.

Ao final pudemos discutir na sala. O que havia nos chamado mais atenção? Alguns grupos se especializaram em arte óptica, outros puderam estabelecer diferenças entre o termo moderno e o contemporâneo e outros discutiram avidamente sobre as instalações encontradas. Isso é arte ou não? Ouvi muito essa frase e ouvi diversos pontos de vista que me deixaram satisfeita pela viagem.

Uma forma diferente de lidar com as informações. Mais rápida e não menos intensa. Lembro-me  das inúmeras críticas ouvidas por colegas de profissão e repetida nos telejornais: ”Esses alunos só querem saber de internet”  desconfiei dessas palavras e mais uma vez saí em busca de outra forma para trabalhar, tentei conciliar esse interesse nato dos alunos e levá-los  comigo  rumo à uma caminhada pelo caminho das artes. Valeu pela viagem, um abraço a vocês!

 

Cristiene Carvalho



Escrito por Cristiene às 09h42
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PraticArte

Contextualizar- Praticar- Refletir, Esses foram os pilares eleitos para fazer parte das nossas aulas, em cada momento buscávamos associar esses diferentes verbos. Pude perceber que a prática ainda estava ligada a dinâmicas, visitas em ateliês, e acabava se tornando uma prática teórica.

Isso aconteceu principalmente, devido à resistência em promover aulas em que o “fazer”  fosse o único viés da metodologia, conduzindo um o ensino deslocado da formação de um sujeito crítico.

Vencidas todas as resistências, lá estava eu com uma pilha de papéis e uma proposta circular um pouco diferente. Sentados no chão  nos aproximamos mais um dos outros e aumentamos a nossa sensibilidade ao sairmos da zona de conforto social obtida pelas cadeiras. Valia sentar, agachar e até espreguiçar, desde que nos concentrássemos para que juntos pudéssemos  construir coletivamente.

O objetivo de caminhar em busca  das principais características do barroco ambientadas nos questionamentos dos dias atuais moveu discussões e algumas controvérsias. Surgiram perguntas, surgiram respostas soluções e a prática nos moveu às descobertas. Seria essa uma obra com vários detalhes ou várias obras em um mesmo contexto? Existe limite para a minha criação em cima do que o colega havia construído? A intensidade de cerejas, motos, peixes e balas se misturavam aos curvilíneos detalhes de cada um. Alguns demonstraram afinidade com traços, outros com a criação de relação entre imagem e significado. E o homem Barroco em conflito mostrava que precisava resolver uma questão com ele mesmo. Perdido entre o consumo e a busca de respostas sobre quem era ele, era difícil resistir ao desejo e as formas circulares  que o prendiam nessa harmonia intensa.Homem Barroco intensamente cheio de emoções, totalmente ambientado à realidade juvenil.

Ao final, emergiram ações: autógrafos dos artistas, poses para fotos e comemorações com coreografias, incluindo sérias interpretações sobre o que havíamos feito em rodas de conversa. Praticar de um jeito envolvente, coerente com a necessidade de expressão daquele grupo me mostrou que a prática pode trazer uma relação muito próxima com o entendimento artístico e com a forma de se pertencer a uma cultura.

A palavra de hoje, não poderia ser mais bem aplicada, “momento espontâneo”, que essa espontaneidade faça parte de nossa busca por conteúdos e reflexões nas aulas de artes.

Valeu queridos, esse momento foi  “praticamente” rico. Adorei criar junto a vocês!

Um abraço forte!

Cristiene Carvalho

 



Escrito por Cristiene às 09h44
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Refletindo em Círculos

Se pensarmos que a nossa vida se constrói  em ciclos, podemos considerar que  as aulas também  podem se adequar a essa característica.Ainda mais as aulas da disciplina “Artes” em que não se pretende só avançar rumo aos conteúdos, mas também fazer com que esses conteúdos tenham significado para a vida do aluno.

Carteiras de forma quadrada sempre me deram a sensação de que os alunos deveriam olhar para o professor e este com seu olhar potente controlaria a todos os alunos da frente da sala, como um maestro dando sinal para a orquestra que só avança ao seu toque. Para quebrar essa idéia formar um círculo era uma solução a fim de melhorar a comunicação e construir um pensamento em comum.

Cada dia olhamos o sol com uma intenção, variar a intenção  do olhar é se permitir dar uma volta em torno do assunto e  essa vontade de modificar o ângulo de entendimento sobre o assunto Barroco tratado na aula anterior , resolvemos refletir sobre  prática ocorrida na última aula, utilizando o campo das idéias para expressar tal fato.

Teríamos outras atividades para essa aula, mas os pensamentos surgiam como uma enxurrada de idéias. Os que haviam relatado a experiência de forma escrita puderam dividi-la com os colegas, aos que gostaram da forma de expressar e quiseram construir o relatório foi dada a oportunidade de escrever e dividir com todos.

Surpresa: “Podemos mesmo escrever o que pensamos e de nosso jeito?” mesmo parecendo óbvia essa pergunta ela fez toda a diferença, pois nos libertou de um formato rígido e frio de um relatório para transpor para o papel o relato das experiências vividas. Foram todas as surpresas, que ao ler cada comentário duvidava até se eu havia mesmo feito parte dessa viagem, interpretações tão diferentes da minha e não menos densas mostravam a importância de se valorizar diferentes olhares.

A velocidade de pensamento foi o que reinou nesse momento. Velocidade para refletir, velocidade para falar, velocidade para escrever. Me via acompanhando adolescentes de aviões a jato com meu triciclo de 25 anos.

Ao final da aula, as palavras que representariam essa aula não poderiam deixar de ser “Redondamente agitado”  Caminhamos em um ciclo, mas não o fechamos prosseguimos a viagem com muita curiosidade e animação.

Valeu pessoal, obrigada pela vivência circular, que nossos círculos artísticos nunca se fechem!

Abraço forte

Cristiene Carvalho



Escrito por Cristiene às 09h44
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 Por um caminho diferente, rumo às Artes!

 Aula de Campo Barroco

 

A importância do estudo sobre o estilo Barroco se baseia não só no entendimento de um determinado estilo, mas na reflexão sobre a cultura local que se atrela fortemente a esta maneira de fazer e entender arte. Assim uma aula de campo não é vista só como uma possibilidade de inovar a metodologia, mas também da necessidade de ter um contato mais próximo com a realidade que estava ali tão próxima a 5 minutos da sala de aula.

Roteiro estipulado, acordos sobre horários e postura assinados por todos no quadro e lá fomos nós morro acima e animados com o inesperado. Primeira parada, ateliê de Geraldino e Eduardo pudemos conhecer mais a fundo as técnicas utilizadas na construção das obras e ver de perto quadros e esculturas barrocamente cheias de sentimento. Uma colocação interessante, ao ver os quadros nos aproximávamos das situações e percebíamos um porque que extrapolava a informação visual e nos oferecia uma gama de possibilidades de sensações. Valeu pela recepção Geraldino parabéns pelo trabalho minucioso de pintura e por ter nos acolhido em seu ambiente de criação. Valeu também a visita inesperada do Geraldo Zuzu, figura conhecida na cidade pelo seu posicionamento ativo em questões de cultura local e cidadã, brindando-nos com reflexões filosóficas e demonstrando disposição em instigar nosso pensamento.

Próximo destino, ateliê de Gabriel e Edésio fomos acolhidos com muito carinho e o Edésio demonstrou domínio de uma linguagem didática de ensino de artes, fazendo uma introdução sobre artes plásticas que possibilitou colocações pertinentes dos alunos Surpreendendo-me a maturidade com que todos se colocaram nas discussões e também o interesse pelo processo de criação e de comercialização das obras. Pudemos questionar sobre o fato de criar a arte para o público sem deixar de construir obras que correspondam ao seu ideal de artista. Momento denso e cheio de possibilidades, alguns se deixaram levar pelas imagens, outros beberam cada palavra, todos com muito interesse. Percebi as diferentes formas de cada aluno em lidar com essas fontes de informação e como esse leque de opções possibilita uma visão mais integral, transformando conhecimento em experiência. Valeu Edésio pela explanação significativa, este momento ficará marcado em  nossa viagem.

Última parada, Igreja São Francisco de Assis, a maioria já conhecia e a princípio foi difícil lidar com o distanciamento religioso. Estávamos sim em território sagrado, digno até de alguns arrepios em alguns que descobriram que os padres eram enterrados em seu chão no século XVIII e XIX, porém era necessário focalizar o nosso olhar para o conteúdo artístico do local. Não era frieza nem desrespeito, mas necessidade. Acho até que as almas dos artistas que construíram esses detalhes ficaram mais felizes, pois pudemos chegar perto do altar e reparar melhor, quanto mais nos aproximávamos mais ficávamos presos aos rocailes detalhados e para o susto de todos o tempo se esgotava, sempre assim o tempo acaba e damos um breque em nossas reflexões.

Descendo a rua, foram apresentadas algumas propostas de trabalho de campo futuros, visitas aos museus, à câmara, possibilidades mil, mas que necessitam estar em consonância com a nossa proposta de conteúdo e haja conteúdo...

Uma aula de campo não se baseia apenas na mudança do local da aula, mas na abertura de novas possibilidades de entendimento, em que o controle não está mais nas mãos dos alunos e do professor, pois mesmo com o tempo estipulado e o roteiro fechado ao estarmos em contato com outras pessoas podem surgir convidados inesperados e promover reflexões, medos, risadas, curiosidades, anseios, tudo inspira, o  cheiro de tinta nos ateliês, o sol forte que  nos faz ver com outros olhos a arquitetura, o chão da igreja  que pode ser visto como cemitério, a parede repleta de quadros nos conduzem para lugares distantes. Pudemos receber de peito aberto essas possibilidades e adequá-las ao nosso objetivo. Com relação à turma, o valeu de hoje seria pouco em agradecer esse envolvimento, colocaram-se não só como estudantes de arte, mas como cidadãos ativos e capazes de se sentirem pertencentes a esse berço cultural de grande valor. VALEU queridos! Foi bom viajar com vocês!

 

Obs: Não se esqueçam de trazer para a próxima aula um relatório sobre esse percurso. Quero saber como foi essa viagem aos olhos de vocês.

Abraço forte

Cristiene Carvalho

 

 



Escrito por Cristiene às 16h22
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Vende-se uma exposição a 1 milhão

 

Repensar novas possibilidades de envolver os alunos nos conteúdos, requer uma ressignificação do conceito de aula. Para que todos participem juntos, é necessário abdicar do papel de professor aquele que possui o conhecimento para professor condutor até o conhecimento.

Uma proposta nem tão inovadora, mas intensamente participativa, que caminhava rumo à essa tentativa. Três equipes com em média seis tripulantes cada embarcaram em uma disputa de pesquisa e divisão de tarefas que culminavam na venda de uma exposição do estilo de arte escolhido a 1 milhão de Euros... devido aos conhecimentos anteriores, os grupos manifestaram interesses pelos diferentes estilos(renascimento, gótico e barroco) e após o tempo combinado puderam expor os seus trabalhos.

O Gótico disparou a largada com uma organização indiscutível, cada membro pôde expor seu pensamento e juntos mostraram que eram fortes e criativos, animados pela premiação dessa disputa não só dispararam conteúdos, mas também responderam às questões propostas com brilhante certeza.

Já o Renascimento optou por uma versão mais calma e clássica de apresentação, todos se envolveram mas alguns se neutralizaram durante a apresentação, o rigor científico adotado na apresentação muito se assemelhou ao estilo escolhido. O ritmo calmo mostrou organização e metodismo, as imagens foram o ponto forte da apresentação o grupo selecionou bons exemplos e se utilizou das diferentes fontes de informação,

Para finalizar o Barroco mostrou ser próximo do estilo apresentado deixando pender em sua apresentação o emocional sobre o racional, ou seja, uma pessoa apresentou os conteúdos e organizou todo o trabalho racional enquanto as demais se envolviam em discussões entre si e deixavam-se levar pela distração demonstrando grande contraste.

Julgar é complicado, pois reconheço que o instinto de competição inerente a nós seres humanos oscila entre a glória e a frustração. Hora de expor os resultados das apresentações e algumas polêmicas... pontos positivos e negativos foram distribuídos, os primeiros levavam em consideração a forma de exposição dos conteúdos e também o envolvimento de todos do grupo ao apresentar o estilo. Já os negativos se referiam principalmente em relação à utilização do tempo para preparação e ao respeito pelo trabalho dos demais grupos incentivando o respeito às diferentes formas de pensar e lidar com o conhecimento em artes. O resultado, empate entre renascimento e gótico, infelizmente o barroco mesmo estando tão próximo de nós havia deixado a participação e o respeito de lado. Hora de pagar o mico, barroco e seus membros se recusaram, uma pena. Antes que todos se revoltassem lembrei quais eram os objetivos da aula, envolver todos em uma pesquisa, participar de forma divertida, lidar com grande volume de conteúdo e produzir juntos nossas referências sobre o período de arte refletindo ao final das apresentações.

 O mico era apenas uma conseqüência a ser cumprida pelos mais corajosos, como isso não havia ocorrido não faríamos disso uma frustração, afinal é terrível agir sob pressão. Fiquei a refletir sobre a competição e suas conseqüências na sala de aula, abolir totalmente? Isso seria ignorar que o mundo que espera os alunos é competitivo, talvez lidar com mais cautela traçando limites e fazendo acordos de convivência.

Ao final da aula, vi que estávamos mais juntos, livros, folhas espalhados, carteiras desorganizadas devido aos grupos e maior liberdade para expor idéias e pontos de vista.

Valeu pessoal, enfrentamos ondas violentas, mas fizemos uma grande viagem!

Abraço forte!

Cristiene Carvalho

 



Escrito por Cristiene às 18h40
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Muito Barulho, por alguns séculos...

 

Entre pré-históricos, gregos, romanos e bizantinos salvaram-se todos. O objetivo dessa viagem era expor as diferentes características artístico-culturais e promover a reflexão. Será que alcançamos? Tamanha a ousadia lidar com uma gama tão densa de conteúdo em apenas uma aula Alguns milênios em 140 minutos, foi necessário acelerar!

 

Primeiro uma atmosfera azul tomava conta das imagens, nem sempre tudo azul significa calma e após constatar que o “cabo” ganhava de 10 a 2,  pudemos iniciar a viagem. Alguns participantes novos ainda não estavam entendendo o porquê dessa aula foram rapidamente apresentados e pudemos começar constando que os velhos tripulantes agora  estavam mais unidos e falantes...coisa boa, comunicação é importante.

 

O som, o barulho, as vozes misturadas às informações da aula, tudo parecia excessivo. Cada grupo de pessoas tem um jeito próprio de se ligar às informações e saber lidar com isso é uma dádiva, mas comecei a perceber que alguns nem estavam tão presentes, o que fazer? Pensar em soluções urgentes... Fui então continuando com essa aula, haviam tantas coisas planejadas e se fazia necessário cumprir a rota , pelo menos naquela viagem.

 

Duas figurinhas brilhantes me emocionaram pela capacidade crítica e conhecimento artístico, a cada informação eles completavam e me senti à vontade para prosseguir, foi como um sinal, siga a viagem vale a pena. Eles foram contaminando outros presentes e cada um à sua maneira foi entendendo o porque dessa aula. Vendo imagens e analisando informações seguimos até o fim, o tempo extrapolou um pouco, enquanto aluna nunca gostei de ficar até depois do horário e vi que muitos ali pensavam assim também, mas a vontade de finalizar era tão grande... me deixei levar!

 

A dinâmica grupal, uma foto, apenas dois alunos se dispuseram a participar, estavam ansiosos para sair e nem escolhemos uma palavra, também tantas coisas já haviam sido ditas que seria quase impossível escolher apenas uma palavra.

 

Sozinha na sala, desligando os aparelhos, me perguntei sobre a direção do conteúdo e da proposta, talvez tenha sido expositivo demais, minha garganta estava cansada e me perguntava onde foram parar as práticas inovadoras de ensino de arte que tanto insisto em defender?

 

 Comecei a arrumar o barco para uma próxima viagem bem diferente, pelos mesmos lugares, mas ocupando diferentes funções neste barco... será? É preciso acreditar, é preciso tentar.

 

Agradeço a todos por essa aula, aos que colaboraram com perguntas, aos que se colocaram curiosos frente a esse conteúdo. Agradeço também aqueles que não se interessaram de forma alguma, pois me mostraram que era necessário mudar. Para agradar a todos? Não, mas para que enquanto arte possa tocar e fazer refletir, diferentes pessoas de diferentes formas.

 

Um abraço e até a próxima jornada

Cristiene Carvalho



Escrito por Cristiene às 14h39
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Primeira Viagem-do ano de 2009 com os tripulantes do grupo denominado “Primeiro integrado”

Diário de Bordo - Primeira viagem do ano de 2009 com os tripulantes do grupo denominado “Primeiro integrado”

 

O silêncio dos presentes parecia que dominaria a situação, até que um meteoro caiu na atmosfera da sala e fez com que fosse possível reunir nossos pensamentos. Mas em relação ao meteoro, assunto polêmico e preocupante, o que poderia ser feito? Em minhas mãos estaria a responsabilidade de incentivar esses sujeitos a modificar a rota.Será que eles conseguem? Aposto que sim!

 

Após colher informações sobre as vivências escolares com a disciplina de artes, vi que muitos compartilhavam de uma experiência também vivida por mim enquanto estudante, um aprendizado teórico e distanciado de um desenvolvimento de pensamento crítico sobre o fazer artístico. Já o diagnóstico da realidade pessoal desses tripulantes não poderia ser melhor, vindos de variadas experiências tínhamos ali músicos de sociedades musicais, violeiros, parentes de músicos, afinizados com desenho, photoshop, danças, teatro e o essencial sujeitos dotados de questionamentos e dispostos a embarcarem nessa viagem cheia de surpresas.

 

Optamos em delinear o que seria esse caminho, fazendo um mapa com as definições de arte, que contasse com a participação de todos. O “Homem Meteoro” assumiu o início dos trabalhos e todos contribuíram com suas diferentes visões. Chegando a seguinte conclusão:

“Arte é uma forma de se expressar e pensar o que sentimos, sendo usada para demonstrar danças, sentimentos, alegria, emoção. Mais do que desenvolver dons ou representar algo é tudo que está a nossa volta, pois sendo um sentimento oculto que pode ser expresso de várias formas, é vista como uma maneira de fugir dos problemas e outras vezes como algo bem estranho, partindo de encontro com a liberdade de pensamento.”

Definição de dar inveja ao nosso teórico Arnold Hauser, escrita ao som de Meredict Monk possibilitou a cada um perceber que a nossa proposta de aprender, fazer e discutir arte de forma coletiva poderia envolver todos e modificar a nossa forma de ver o mundo e a realidade em que estamos inseridos.

 

Para finalizar o roteiro desse primeiro encontro, escolhemos juntos uma palavra para simbolizar a nossa aula, em dúvida entre a palavra “loucura” interpretada como: a necessidade de inverter os conceitos, decidimos por “diversão” pelas experiências divertidas e  surpreendentes vividas nessa jornada.

 

 Só me resta agora agradecer a todos os tripulantes pelo envolvimento, pois só pudemos nos divertir nesse momento graças ao contribuição de todos, cada um à sua maneira e com a sua marca pessoal. Um abraço e até a próxima jornada!

 

Cristiene Carvalho



Escrito por Cristiene às 14h49
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